quinta-feira, 20 de maio de 2010

da costela.

Eu quebrei uma costela, foi um pequeno acidente doméstico de uma pessoa não tão bem domesticada: eu. Quando se quebra uma costela, não há praticamente nada a fazer, só esperar. Eu não sou dada a esperas, e me custa saber que tenho algo quebrado dentro de mim (mais um algo seria o correto). Andei uns dias enfaixada, mas não gostei, me senti apertada, joguei as ataduras no lixo.
Daniel: - Tu é de vidro.
Eu: - Sim, sou de vidro, que no fundo é areia...
O vidro é frágil, eu sei, mas também pode ser bastante bonito, colorido, e se bem cuidado, dura até perto do para sempre. Mas o que mais me encanta são as cores, o reflexo delas surgido com o tocar dos raios-de-sol.

E por fim, eu até que gosto de cacos, desde que brilhem.

8 comentários:

  1. Me voltou a um tempo em que eu me cortava com os cacos das minhas lembranças.


    Dolorido isso.

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  2. Não há como não gostar dos cacos, são eles matéria-prima de nossas vidas. Que perto do 'pra sempre', vira pó.
    Fazia tempo que não aparecia por aqui, lindo.

    beijos.

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  3. Poesia é isso aí...
    Encontrar beleza até na dor/incômodo!

    Você é um lindo e brilhando vidro, ainda que quebradinho.

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  4. B. Um belo texto. Um bom pensar. Um bom pesar. Até mais B.

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  5. Cacos podem mesmo brilhar. Se a gente larga os cacos (os de costela, por exemplo) largados lá dentro da gente, viram uma dor crônica. A gente pode tentar se acostumar com a dor, mas nunca nos livraremos dela. Mas se fizermos os cacos brilharem, a dor é realmente superada por coisas boas.
    Veja a ostra por exemplo. Com o incômodo de um grão de areia na costela o que ela faz? Veja bem, areia, com o que se faz vidro, você bem disse. Ela faz uma pérola. Ela coloca o vidro pra brilhar.
    Aí não tem mais dor, não tem mais incômodo. O que era dor vira uma lembrança. Que pode ter uma nostalgia, uma melancolia, mas também tem alegria, orgulho, satisfação.
    Boa sorte com a sua botação de cacos pra brilhar!

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  6. éh, bê... cacos desde que brilhem! Lembra de qdo nossa cozinha se tornou um mar de cacos verdes e vinho no chão, num ataque ritualísco?

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  7. Sendo de vidro
    Duvido
    Se essa parte quebrada
    Logo logo não está recuperada
    E far-se-á tanto mais sagrada
    Depois de marcas ter tido
    Que quem pela vida passeia
    Sendo ou não de areia
    Pra aproveitar
    Tem que se quebrar
    Pra ver o lado divertido...

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