quinta-feira, 6 de março de 2008

As cores dos olhos do moço de preto.
Aquele encontro num repente.
Lembro as noites no coreto –
na primavera, o coreto fica coroado de flores roxas que eu não sei o nome.
Um coreto inventado em uma cidade sem coretos.
Um encontro sem nenhum repente nas margens de um mar poluído de porto.
Roubei as flores roxas de outra cidade –
da minha cidade na boca do monte.
Serei condenada?
Serei coroada?
Dois nãos seguidos,
sem contar os outros.
Uma fila de nãos para mim.
Caixas vazias de cigarro são bons presentes?
Lembro do gosto das frutas –
são diferentes as frutas por aqui.
A janela do quarto fechada.
Algumas vezes as pessoas se fecham fazendo doer nos outros.
Querer 1:
me abrir para as cores dos olhos do moço de preto.
Querer 2 (continuação do querer anterior):
pular a janela e aprender a jogar videogame.
Querer 3 (se os quereres anteriores não passarem do querer):
não querer mais nada por aqui.

2 comentários:

  1. eu prefiro queimar do que enferrujar....

    fico com a terceira opção

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  2. Sensível,delicada, doce... é tudo aquilo que és.

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