quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Notas achadas em um minúsculo caderno preto de capa-dura.

I.
sentar-se em posição de borboleta,
sem possuir asas?
incompletudes anatômicas para os levantes.
um espaço blindado dentro do corpo,
uma pupa em branco.
riscar.
sentir-se enfastiada
e engordar, engordar, engordar.
ter um rádio transmissor sem comunicar asas.
engodos.
farinha de maizena grudando no céu da boca.

II.
Cecília não vira a dália naqueles dias;
dizia “recitais de cigarras” como se sibilasse.
Cecília arrastava as ondas como colares.
Cruzaram-se em frente a uma vitrine de papelaria;
Cecília piscou os olhos entre um papel-manteiga e outro.
Espreitar equilibrando-se sobre as pedras umedecidas.
- Eu corri, pois meus sapatos faziam barulho de gaivota; tive medo.
Cecília recortou todos os olhos que apareciam nas revistas;
olhos pingentes para os colares de ondas.
Eu não vi a dália aquela noite.

5 comentários:

  1. preciso te falar sobre isso,
    fiz 4 anotações na parede

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  2. po,vc vem pra vitoria e desaparece,a galera perguntou onde estavas....

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  3. Parece que não só eu que admiro as belezas da natureza...
    A Dália, tão rara, às vezes aparece em jardins de sonhos...
    Outras vezes nos deixa esperando.
    Aguardo, entretanto, um vento de bonança para levar o olor do orvalho ao âmago do meu ser.

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